Hoje de manhã, enquanto varria os vidros da montra (partida por adeptos benfiquistas -
nunca devemos ter produtos importados da Bélgica à mostra), estive a recordar os meus
tempos do liceu. Não acredito que são tempos difíceis, como as pessoas dizem.
Que saudades tenho. Nessa altura cheguei a ter três amigas.
Quatro, se contarmos com a Maria Leonor a quem apanhei um lápis do chão. E quando lhe entreguei ela não me chamou
"caixa de óculos anormalóide" ou
"dentuça que vem para a escola numa carrinha de vendas com cortinas". Nem sequer gozou com a minha camisola-oferta da seguradora
Bonança.
Eu era uma boa aluna. No final das aulas entregava sempre uns
catálogos de roupa aos senhores professores. Um dia, de tanto insistir em entregar catálogos fui chamada ao gabinete do Director. Ele foi muito simpático, embora a princípio me tenha confundido como pertencente a um grupo que tinha sido apanhado a fumar coisas ilegais na casa de banho.
Mas não pensem que não fui uma adolescente normal, com as loucuras típicas da idade. Era uma menina muito rebelde, por vezes chegava atrasada às aulas
quase 2 minutos. Outra coisa que me recordo é da minha primeira
paixão avassaladora. Era um
professor de Português. Uma vez vi-o a comprar fruta numa mercearia local com uma
empregada loira e fiquei cheia de ciúmes. No meu stand há sempre fruta da época e alguma importada da Costa Rica. Nas aulas seguintes não lhe respondi a nenhuma pergunta.
É bom olhar para o passado com uma nostalgia saudável. Claro que fico com pena de não ter realizado
todos os sonhos que tinha na época, como comprar um espaço publicitário na televisão... ou mesmo internacionalizar a VP. Bem, mas quem diz que não concretizarei nenhum destes sonhos? Até ando a pensar abrir uma filial no norte...